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[18+] Doce da Tarde

Foi quase poético. Uma tarde amena, com um sol tímido atrás de algumas nuvens. Seminua e deitada na cama a dois improvisada, ela revia seus dias. A janela que dava para a varanda estava aberta, e nela via-se o mundo. Dentre todos os pensamentos, lá estava você. A noite anterior não havia sido como planejavam, mas a manhã e início de tarde foram leves, apesar de tudo. Você inundou os pensamentos. Lembranças do último encontro amoroso pairavam sobre a memória, e sem perceber, ela se tocava. Lembrava nos beijos quentes e amorosos, das carícias e promessas e, num sorriso, contraiu-se toda e gozou. Relaxou o corpo nos colchões e suspirou. Começou a chover. Ela olha para o lado, desejando a sua presença, observa a chuva e sorri mais uma vez. Fecha os olhos e sonha.

Essa noite você me visitou em meus sonhos

Primeiro eu estava com umas pessoas, mas não lembro mais quem. Estávamos no shopping e almoçamos lá. Depois resolvi ir para o cinema sozinha. Ao terminar o filme, começo a andar pelo shopping, sem um destino. Passo por uma loja de brinquedos e compro uma linda boneca que me chamou a atenção na vitrine: ruiva de vestido vermelho, delicada que só ela. Peguei o metrô, a princípio sem direção. Quando me dou conta estou indo para a sua casa. Vou caminhando pela sua rua, está um sol muito forte e a cada passo que dou mais próximo da sua casa, vou mais devagar. Chego à sua porta. Olho pela sua janela, mas não vejo ninguém. Toco a campainha. Espero. Você sai pela janela. Parece extremamente feliz ao me ver. Fui para sua casa com um pensamento triste em mente, de despedida, mas já não conseguia pensar nele. Nos cumprimentamos com um abraço forte, digo que estava morrendo de saudades e quase começo a chorar. Você pergunta como estão as coisas, respondo que bem. Mostro minha mais nova aqu...

Late in the afternoon

Me sinto perdendo todo mundo, aos poucos. Será que é isso mesmo? Ou será que estou me perdendo, dia após dia, não sabendo mais quem eu sou? Por mais que o auto-conhecimento tenha sido a palavra do ano.  Sinto que tudo escorre pelas minhas mãos, que qualquer coisa que um dia sequer soube,  quis ou fiz desapareceu, desintegrando-se na minha frente, para me ensinar algo. Mas o que é? Quanto mais eu olho menos entendo. O que devo tirar de tudo isso? Que nada me pertence? Que eu não pertenço a nada, lugar algum? Que devo ser só (veja bem, só e não solitária), independente de tudo, todos e qualquer coisa? Quero ter fé, mas já não sei mais no que. Para que. Continuo seguindo, vagando, meio moribunda, sem direção. Ou melhor, em direção ao fim, já que este é inevitável.  Pra que tudo isso?

Nem parece que foi ontem

Depois de muitos meses sem nos falar, resolvo ir até sua casa, para uma visita inesperada. Quem me recebe à porta é a sua mãe, com um sorriso gostoso e braços muito abertos, que me envolveram num abraço que só ela consegue dar. Ando da sala até os quartos, subindo as escadas, onde cruzo com seu irmão gêmeo. Esse, surpreso, me chama de canto para conversar. - Você sabe que ele tem namorada, né, Di? Fiquei aturdida com a notícia e saí tempestivamente ao seu encontro. Ricardo - seu irmão - correu atrás de mim, com a intenção de me acalmar e quem sabe até me impedir de falar contigo daquela maneira. Te encontro no quarto, de pé e de costas para mim. - Rafael, - digo numa voz trêmula que não se decide entre felicidade em vê-lo ou de ódio pela nova companheira - que história é essa de você estar namorando? Quem é? Há quanto tempo? Poxa, pensei que fossemos ainda amigos, afinal. - As palavras saiam meio atropeladas. - Não quis te contar para não te magoar, Di. Balbucio mais alguma...

Pedra - e suas duas histórias

Sentados numa pedra, depois de um dia inteiro de nadar no mar e procurar conchas, ele tira do bolso um anel de coco e me pede para ser sua namorada. Apenas sorrio e o beijo, em sinal de sim. Brincávamos pelas pedras, pulando, correndo e andando por elas, de mãos dadas, até acharmos uma onde deitamos e o mar não nos atingia. Fomos felizes.

[Textos Semanais] Olhares

Todos os dias ele me olhava. Com aquele olhar que mesmo depois de anos juntos eu nunca soube direito o que eles queriam dizer. Aquele que ele já me fitou durante horas enquanto eu estava concentrada em algo, aquele que ele lança em mim todas as vezes que estou falando sobre algo que me estressa. Às vezes o olhar era diferente. Como se eu fosse a melhor mulher do mundo apenas por existir. Nunca entendi esse. Nem o olhar muito menos o sentimento. Como posso ser a melhor mulher do mundo com tantas outras por ai? Não pode ser verdade. Mas gosto de ouvir mesmo assim. Outras vezes quem o olha sou eu. Sou capaz de encara-lo por horas, com os mais diferentes tipos de olhares. Alguns que às vezes nem percebo ou sequer entendo. Como aqueles que faço quando ele está junto dos amigos dele, rindo, e eu mais afastada, só olhando. E me sentindo bem. Talvez feliz pela felicidade dele, de fazer parte daquilo. Ah como gosto quando ele me lança um olhar sedutor. Sou incapaz de resistir. Ainda mais quando...

[Textos Semanais] Pela madrugada / Guess who's back?!

E depois de muito tempo, resolvi voltar a escrever os textos semanais!  Ainda estou pensando se compensarei pelas semanas que não escrevi texto algum (já contei, foram 8 semanas de puro hiato) mas provavelmente tentarei compensar sim! Aproveitem! --- Pela madrugada Sob uma luz esmaecida de pisca-piscas há muitos anos usados, ela estava na sala. Pensava sobre o mundo, principalmente sobre o mundo que há dentro dela. Todas as historias vividas, imaginadas e os planos para as que virão, misturadas entre si. Toma um gole de seu chá. Já não esta mais tão quente mas ela até prefere assim. Lili passa por ela e a acompanha com o canto dos olhos, enquanto anda desconfiada pela sala. Não fica muito interessada em nada e logo volta exatamente como veio, silenciosa. A música nos fones de ouvido a agrada, uma banda espanhola nova que descobriu na noite anterior. Uma mistura de MPB com folk, caia bem com o tipo de noite que fazia. Queria ter alguém com quem conversar. Olha pro...